Olá, esse é um blog que se destina à potencializar e divulgar o uso da música (canção) como recurso didático de ensino dos conteúdos da disciplina História, mas que pode e deve se estender às outras áreas do conhecimento. Então, segue abaixo o meu artigo de Pós Graduação em História Pública da Bahia e Ensino, onde alimento tal proposição: Boa leitura:
UNIVERSIDADE
CATÓLICA DO SALVADOR – UCSAL.
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO INTERDISCIPLINAR
EM HISTÓRIA PÚBLICA DA BAHIA E ENSINO
Música,
Cultura e Ensino de História
A
canção popular na sala de aula
HÉLIO ONDIÁRIA VASCONCELOS FILHO
SALVADOR – Outubro,
2019
UNIVERSIDADE
CATÓLICA DO SALVADOR – UCSAL.
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO INTERDISCIPLINAR
EM HISTÓRIA PÚBLICA DA BAHIA E ENSINO
Música,
Cultura e Ensino de História
A
canção popular na sala de aula
Artigo
Científico apresentado ao Curso de Especialização em História Pública da Bahia
e Ensino, da Universidade Católica do Salvador, como requisito para obtenção do
grau de Especialista.
Orientadora:
Ma. Alessandra Carvalho da Cruz
Salvador, Outubro de
2019.
Resumo
O presente artigo tem o
objetivo de analisar a importância da música popular brasileira no ensino de
História nas Escolas públicas da Rede Estadual de Salvador. A pesquisa de campo
fundamentou-se em levantamento de dados, em relatos de jovens estudantes e nas
narrativas dos Professores em duas escolas de ensino fundamental II. Nas
narrativas construídas pela comunidade escolar é possível perceber o
significado a música tem como ferramenta e recurso didático em sala de aula no
processo ensino/aprendizagem de muitas disciplinas e especialmente na
compreensão de conteúdos específico da disciplina história. O artigo investiga
também as razões para o envolvimento dos jovens com a linguagem musical brasileira
a partir do levantamento e consulta de fontes bibliográficas que trabalham com
a história da música na formação da nossa identidade nacional.
Palavras-Chave:
Música, Cultura, Ensino de História.
Introdução:
Diante
do advento da velocidade das tecnologias da comunicação e informação e como
consequência uma presença cada vez maior dos jovens no mundo virtual, o ensino
de história tradicional centrado na exposição do professor e leitura de livro
didático, tem cada vez mais se tornado distante do interesse dos alunos na rede
pública de educação básica em Salvador. Essa pesquisa surge dessas inquietações
vivenciadas em sala de aula, nos estágios de observação e intervenção, na
disciplina de História. Buscar alternativas que potencialize esse ensino é um
os principais desafios para o Professor de História na
contemporaneidade.
Ao
observar o comportamento dos alunos, é claramente perceptível o uso constante e
de algum modo até abusivo do fone de ouvido conectado ao aparelho celular
(smartphone) o que denota amplo gosto por música, ao estarem a todo instante,
dentro e fora da sala de aula, ouvindo música. Essa constatação foi fundamental
para ancorar a reflexão sobre a possibilidade de incorporação dessa linguagem e
fonte como uma ferramenta didática potente e lúdica, que preenche parte dos
requisitos necessários ao aproveitamento e apreensão dos conteúdos da
disciplina de História, no ensino em sala de aula, e demais espaços.
Como bem disse Tim Maia na
famosa canção Canário do Reino:
Não
precisa de dinheiro, pra se ouvir meu canto, eu sou canário do reino, e canto
em qualquer lugar, em qualquer rua de qualquer cidade, em qualquer praça de
qualquer país, levo o meu canto puro e verdadeiro, eu quero que o mundo inteiro
se sinta feliz.
O presente
artigo é parte inicial da proposta argumentativa para a elaboração de um
projeto de intervenção e aplicação pública, cujo objetivo é sugerir a potencialização
da música como recurso didático em sala de aula e demais espaços de ensino,
necessária e fundamental para a assimilação dos conteúdos da disciplina
história.
Nesse
sentido, apresentarei uma análise introdutória da música como prática cultural
na História do Brasil e principal símbolo de identidade nacional.
Posteriormente além de apresentar os resultados da pesquisa de campo que realizei
com Professores e alunos do Colégio Estadual Pedro Calmon e Colégio Estadual Alberto Valença e também do Centro
Educacional Asas da Educação e do Colégio Hildeberto Cardoso, escolas da
Rede Privada de Salvador, para a compreensão das dimensões da musicalidade em
nossa cultura dialogo com uma rica e consolidada bibliografia que reúne
pesquisas sobre o uso da música como ferramenta didática de ensino.
A Música na História do Brasil
Nesse
capitulo apresentaremos um breve histórico da evolução da música no Brasil,
como forte elemento de agregação social, mas sem a pretensão de aprofundar a
relação histórica, pois o objetivo aqui é fomentar a música como potente
recurso didático de ensino dos conteúdos de história.
A
música popular brasileira tem sua ancestralidade amplamente enraizada na
diversidade dos povos formadores do Brasil. Desde os nativos indígenas,
portadores de uma rica cultura, até as sociedades africanas e europeias, todos
contribuíram significativamente para a formação do repertório artístico e
musical nacional, sendo esse patrimônio imaterial disseminado nos espaços
sociais do nosso território político ao longo dos séculos, desde a colonização
até a contemporaneidade.
É ainda
nesse contexto colonial, onde brancos (europeus) e negros (africanos e
indígenas) se misturavam, readaptando os seus costumes e crenças na interação
do cotidiano popular, que a música brasileira iria formar a sua identidade, e
conferir ao Brasil uma gestação musical diferenciada, assim como em outros
ramos das artes.
Intensificada
a partir do século XVIII, quando o espaço colonial brasileiro começa a ganhar
ares urbanos, passando pela República, chegando aos nossos dias capitalistas, a
música produzida no Brasil foi e é absorvida por toda a população brasileira.
Destarte, ser a música uma expressão artística capaz de exteriorizar qualquer
tipo de sentimento, de determinada cultura, dentre todas as influencias
culturais diversas que estruturaram o Brasil, essa musicalidade se apresenta
também, pela amplitude que tem como ferramenta pedagógica auxiliar na relação
ensino/aprendizagem, como forma lúdica e prazerosa, de assimilação dos
conteúdos da disciplina história.
Assim
como no passado da recente Historia do Brasil, a cultura do povo brasileiro se
manifestou, também, através da música. A música é para a cultura do povo
brasileiro um ponto de apoio, onde se exteriorizam os seus sentimentos, sejam
de alegrias, tristezas, dominação ou resistência.
Se a
música foi usada como instrumento de dominação e prestigio social, em
determinadas épocas da historia brasileira, ela também foi e continua sendo
objeto de reação dos dominados.
A
influência da música europeia estava posta no espaço colonial e imperial
brasileiro, não só nos espaços sociais nobres, através dos consertos musicais e
das apresentações de óperas, mas também no seio das classes baixas, nos
terreiros, nos barracos e praças urbanas, onde os negros e seus descendentes
por questões religiosas, festejos ou resistência, promoviam os seus batuques e
rituais, cantando e dançando até altas horas.
Salvador,
Rio de Janeiro e Ouro Preto eram os centros urbanos que, sob a influencia
europeia, receberam os investimentos econômicos e sociais, com os quais, devido
ao crescimento populacional, as elites investiriam nos ares do lazer e do
entretenimento.
Em
fins do século XVIII surge a modinha, gênero musical lírico de pequena duração,
e que junto ao lundu (batuque dos negros, com acompanhamento de viola) atravessou
para o século XIX para ser a base musical de gêneros como o Choro, o maxixe e o
samba já no século XX, atestando daí a fusão de elementos musicais das culturas
europeia e afro-brasileira. Para Marcos Napolitano (2002, p.28):
A modinha trazia
a marca da melancolia e certa pretensão erudita na interpretação e nas letras,
sobretudo na sua forma clássica, adquirida ao longo do II Império. Quase uma
ária operística, com inclinações para o lírico e o melancólico. A modinha surge
em fins do século XVIII, derivada da moda portuguesa.
Marcos
Napolitano (2002, p.30) é enfático em afirmar como prática sensível,
sofisticada e marcante na história do Brasil o fato de hegemonicamente os
encontros sociais, religiosos, celebrações rituais, etc. são sempre
acompanhadas de apresentações musicais,
cantigas, danças e encenações ritmadas pelo cancioneiro popular. Segundo Napolitano
(2002, p.30):
[...] O que
importa salientar é que, na “história geral” da música brasileira, estes
“gêneros” aparecem como matrizes de uma série de práticas musicais que marcarão
a sociabilidade em torno da experiência musical.
Nasce
o Maxixe em 1875, e que seria um dos embriões do nosso samba, tendo aclamado
sucesso na Europa nas décadas posteriores. Data de 1895 uma adaptação musical
feita no carnaval carioca, de uma chula, que era interpretada na Segunda Feira
Gorda da Ribeira – Salvador (ajuntamento de pessoas que esperavam a
condução/transporte, para retornarem às suas casas, ao final da Festa do Bonfim),
sendo chula transformada em cantiga de desfile de rancho (grupo de foliões
fantasiados que saiam as ruas no carnaval, cantando e dançando).
1916
é oficializado como o ano do nascimento do Samba, com a gravação de "Pelo
Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, no Rio de Janeiro, e a partir daí,
outros estilos e gêneros musicais surgiriam, durante todo o século XX.
Nas
Américas o movimento que gravitava em torno da música popular brasileira,
sofrera forte influência europeia, por conta da dominação da cultura elitista,
entretanto, com o crescimento das camadas populares urbanas, o movimento musical
popular assumiu a miscigenação dos três principais grupos étnicos, o europeu, o
africano e o indígena, o que deu origem a outros gêneros musicais, como o jazz
norte-americano, o samba brasileiro e o bolero mexicano, o que viria a se
desenvolver no contexto cultural, na dinâmica da releitura, assimilação,
adaptação, proteção e preservação das tradições e identidade étnica - sui generi - desses povos que se
misturavam em solo americano. Dessa forma, na primeira década do século XX,
nesse laboratório cultural musical popular americano, os novos gêneros musicais
consolidavam o caminho para a MPB - Musica Popular Brasileira.
Não devemos
esquecer que as instâncias culturais oficiais (municipais e federais)
interviram no mundo da música popular, tentando enquadrá-lo sob políticas
culturais de promoção cívico-nacionalista. Portanto, cultura popular, cultura
letrada, mercado e Estado, no cenário musical brasileiro, não se excluíram, mas
interagiram de forma assimétrica e multidimensional, criando um sistema complexo
e consolidando a própria tradição. Este cenário está na gênese do novo tipo de
música popular brasileira, de feição urbana, culturalmente híbrida e aberta a
Inovações estilísticas e técnicas, surgida nos anos 30. (Napolitano, 2002,
p.37)
Durante
as décadas de 1920 e 1930 o samba se consolida como gênero musical que embalará
nos anos seguintes, com certa predominância, a vida cotidiana da sociedade
brasileira. Já em 1922 nascem as canções sertanejas oriundas dos meios rurais
do Norte e Nordeste do país, principalmente o xaxado e o baião que se mesclam
com as modas de viola, chulas e emboladas, para reforçar o estilo caipira de
fazer musica.
A
partir de 1930, surge a marcha-rancho, gênero musical urbano, intensificado
pela propagação da indústria fonográfica e da potência do rádio. Noel Rosa
lança o samba "Com que Roupa Eu Vou", como sátira da vida carioca,
marca registrada de sua obra, que iria eternizar a chamada "época de ouro
do rádio" e a expansão da música nacional. Nesse sentido diz Hermeto
(2012, pp.11-12):
O samba de Noel Rosa, escrito no
início dos anos 1930, virou algo muito maior do que um sucesso do carnaval
carioca. Gravado por diferentes artistas, em tempo, ritmos e timbres diversos,
não só é uma das preciosidades do nosso cancioneiro, como também se transformou
em uma espécie de bordão.
Com a urbanização e a
industrialização, mediante os novos gêneros musicais de cunho popular, a
indústria fonográfica se intensificou, propiciando a expansão do rádio, do
teatro e do cinema. A música agora estruturada na indústria e no entretenimento
se solidificou no seio das camadas populares.
Em meados dos
anos 40, o rádio era um veículo de comunicação consolidado e em franco processo
de expansão, sobretudo entre as classes populares urbanas. [...] Além do rádio,
as chanchadas cinematográficas foram o grande veículo do tipo de música
popular... (Napolitano, 2002, p.39)
Novos
padrões de rítmicos nasceram ao compasso da dança, onde a música erudita deu
lugar à uma música miscigenada, gestada na América, fruto das misturas dessa
arte popular entre etnias, como diz Napolitano (2002, p.33): “A música brasileira moderna é, em parte, o produto
desta apropriação e desse encontro de classes e grupos socioculturais
heterogêneos.”
A
música vinda da Europa não era mais a mesma no século XX. Adaptada ao mundo
americano, a erudição europeia deu lugar ao canto natural e ritmado, dos
desejos do prazer e da legitimação popular, em cantar as coisas da sua gente, da
sua vontade de viver e propagar as coisas do Brasil, nesse Brasil que se
tornava cada vez mais o Brasil musical, dos brasileiros.
A música popular
brasileira tem um lugar sociogeográfico que seria tanto mais autêntico e
legítimo quanto mais próximo do lugar sociogeográfico das classes populares: o
“morro” e, posteriormente, o “sertão”. (Napolitano, 2002, p.37)
Em
1939 a “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso ganha o mundo, mostrando que a
música popular brasileira veio para ficar. Já em 1946, o Baião de Luiz Gonzaga
era cantado de Norte à Sul do Brasil, surge como gênero musical que cantava
sobre o cotidiano urbano e rural, coisas do interior, do caipira e do folclore
brasileiro, com forte apelo crítico, sendo amplamente aceito, embalando o
Brasil musical até os anos 70, já ao lado da recente Bossa Nova, do Samba e do
Rock In Roll.
O Nordeste, como
um todo (sobretudo Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará), também desempenhou um
papel importante, fornecendo ritmos musicais, formas poéticas e timbres
característicos que se incorporaram à esfera musical mais ampla, sobretudo a
partir do final dos anos 40. No final desta década, o Baião de Luiz Gonzaga se
nacionalizou, via rádio, consagrando definitivamente a música nordestina nos
meios de comunicação e no mercado do disco do “sul maravilha”. Aliás, todas as
regiões do Brasil têm uma vida musical intensa [...]. (Napolitano, 2002, p.27)
Surgem
os Festivais da Canção Popular, para explorar, ainda mais, a propagação da MPB,
no Brasil à fora, e com ela, alimentar a
indústria musical. Com o surgimento da Tropicália, com eixo no centro Rio-São
Paulo, outros ritmos e gêneros musicais se entrelaçam e se diversificam nas
décadas seguintes. O rock, o reggae, o funk, o rap, o sertanejo, o samba, o
pagode e o axé-music, paralelamente, se processão nas esferas urbana e rural,
fortificando a eclética MPB, que industrializada, iria ganhar reforço, no
século XXI, com a tecnologia do mundo virtual.
A musicalidade baiana e
soteropolitana
A
Bahia, durante o Período Colonial, herdou da musicalidade europeia e, da
efervescência do batuque dos tambores africanos, o que serviu para aproximar a
cultura de brancos e negros em torno de seus acordes musicais. Essa herança
musical dialética dominante/dominado tinturou a musicalidade baiana em diversos
estilos e ritmos, o que fez da Bahia um celeiro musical nacional, dessa arte,
dessa resistência.
A vida musical na virada do século XVIII para o
XIX, no Brasil, não assistiu apenas à formatação destes dois gêneros de “música
ligeira”, como se dizia — a modinha e o lundu — mas também a uma febre de
música religiosa, sobretudo em Minas Gerais, mas também em Olinda, Salvador,
São Paulo e Rio de Janeiro. Em sua maioria, os músicos que praticavam este tipo
de música eram mestiços ou mulatos e se organizavam em irmandades religiosas
(como a Irmandade do Rosário, que congregava negros e mulatos) e produziam uma
música delicada e sofisticada, voltada para a liturgia da Igreja Católica.
(Napolitano, 2002, p.29)
Outrora,
nos terreiros da casa grande, nos quilombos, nos cortiços, e hoje nos guetos, a
música continua alimentando sentimentos de alegrias e esperanças, de que tudo
pode mudar e melhorar. É essa musicalidade baiana, vinda de além-mar, que
alimenta e manifesta a vontade de vitória, crescimento e liberdade do povo. Nesse
sentido diz Goli Guerreiro (2000, p.12):
O que antes soou dos porões dos navios
negreiros, nas senzalas, no culto aos orixás e atendia apenas à demanda de
etnomusicólogos, ocupou com diversos transes e rótulos o cenário e a mídia, não
se determinando o gosto estético nacional como criando um ambiente e uma economia
de grande significado.
Também
na Bahia os cânticos religiosos das matrizes africana e europeia, ao som dos
atabaques e dos violinos, paralelo ao festejar do samba de roda, marcado por
tambores e pandeiros, contribuíram para fermentar o progresso do processo
cultural musical soteropolitano, unindo as diversidades étnicas numa só cor, dos
diversos ritmos musicais.
Vejamos o que diz a pesquisadora Alessandra Carvalho da Cruz
(2006), em sua dissertação de mestrado:
O caminho para a legitimação do samba foi percorrido muito mais
pela contramão do que pela pura concessão. Pois o samba já
era plenamente reconhecido e valorizado pela maioria da população, tantos os
negros, afro-descendentes, como pelos brancos pobres, que já utilizavam-no maciçamente
como a trilha sonora de suas vidas.
[...] Mostraram que a construção de um país
novo, só poderia se dar a partir da revisão e conseqüente superação, de
problemas que vinham de longo tempo. Lembravam, ao retomar a sua história, que
sempre trabalharam. Construíram a nação, suas riquezas materiais, mas a sua
história continuava marcada pelos valores da exploração, a busca de uma riqueza
a partir do esforço alheio, e da manutenção da diferença entre as classes.
A
musicalidade cultural soteropolitana atravessou o ultimo século, se
reinventando e se reelaborando, conforme o cenário politico, econômico,
religioso e social local, como resposta aos anseios populares, de dominantes e
dominados. Do Regime Militar aos nossos dias, o palco musical baiano e soteropolitano,
recheou-se de estilos e gêneros musicais, como frevo e o samba-reggae, até
chegar ao Axé Music.
Essa música regional era considerada
pelos ouvidos brasileiros uma trilha carnavalesca, e por isso mesmo só era
consumida, até o final dos anos 80, no período de festas. Mas esta
característica sazonal vai se diluir com a ascensão comercial do novo movimento
musical baiano – a axé-music, uma música de elementos estéticos brancos e
negros que foi viabilizada pela inserção do samba-reggae nos estúdios de
gravação e na mídia. (Guerreiro, 2000, p.131)
A
musicalidade soteropolitana, agora estruturada em suas vertentes etno-culturais,
é admirada pelo mundo afora, como expressão eclética e genuína. A musicalidade
baiana e soteropolitana é autêntica representante de um povo, que diante de
suas diferenças sociais, faz da música um forte elemento de ligação igualitária
das diversas camadas sociais, como se evidencia no popular Carnaval de Rua de
Salvador, onde existem as divisões de classes, mas todas desfrutam da mesma
sonoridade da diversificada musicalidade baiana. Em A Trama dos Tambores, diz
Goli Guerreiro (2000, p.15): “[...] Através de sua música, [...] a Bahia alcança
um pico de evidência em todo país, ao mesmo tempo em que se afirma como uma
referência musical no Novo Mundo.”
E
continua:
Nos anos 80, o meio musical de
Salvador estava tramando um novo movimento. A música percussiva produzida pelos
blocos afro – o samba-reggae -, cujas letras celebravam o universo negro, saía
das periferias da cidade para ocupar um lugar de destaque na cena musical
baiana e não tardaria a aparecer nos cadernos de cultura do país como um
criativo pólo do mundo da música no Brasil.
Se a
classe dominante, através do poder politico e econômico, dita as regras de
comportamento da sociedade, o mesmo não acontece com a música, porque ela tem o
poder de unir as classes, para celebrar seus feitos, seja de resistência, seja
de comunhão, seja de alegria ou tristeza, seja para alimentar esperanças e
sonhos de liberdade, igualdade e fraternidade.
A música pelo seu caráter interdisciplinar, no
transitar cultural, expressando a tensão entre dominantes e dominados, se
constitui em potente ferramenta de auxilio do processo ensino/aprendizagem.
Desse modo, a música, pela grande influência cultural que exerce na sociedade,
carece de efetivo e potencial projeto pedagógico, na relação
ensino/aprendizagem, no que se refere à cultura e à educação escolar, o que
procuraremos abordar, nas linhas que se seguirão mais adiante. É o que se
afirma nos Parâmetros Curriculares Nacionais (l998, p.86):
A perspectiva de conferir à escola a
responsabilidade de elaboração e desenvolvimento de seu projeto educativo não
deve significar omissão das instâncias governamentais, tanto nos aspectos
administrativo e financeiro como também no pedagógico.
A influência cultural da
música
Determinar
o conceito do que é música e suas expressões artísticas (poesia, ritmos,
danças, performance, etc.), não é algo fácil, principalmente porque esse
prática cultural propagadora dos objetos e objetivos das ações humanas, sejam
individuais ou coletivas, implicam em desejos, sentimentos e relações de
submissão e poder, dos quais o ser humano se vale, no exercício natural de suas
atitudes, expondo a cultura, da qual é agente reagente e herdeiro, como afirma Ferreira (2017, p.18):
A música, por mais que seja
considerada uma das mais puras e vigorosas maneiras de o ser humano expressar
suas emoções, o que não deixa de ser verdade, não foge à regra. Dirão alguns
que tal afirmação vale apenas para a música desenvolvida dentro dos padrões
ocidentais, mas, na verdade, tanto a música oriental como a folclórica, a
erudita, a primitiva etc, surgem de algum tipo de organização, variando apenas
a intensidade e a qualidade dos critérios que as determinam.
Não
é intenção nesse artigo aprofundar o estudo da etnomusicologia, mas delinear,
com brevidade, que a música sempre se fez presente na sociedade, exercendo
papel potencializador no desenvolvimento das relações culturais dos diversificados
grupos étnicos.
Ao
longo da história, no que diz a arqueologia, as pinturas rupestres denotam a
ação humana primitiva, evidenciando espécies de ritos religiosos e
comemorativos e afazeres do cotidiano, o que implica em vivência grupal e
exercício cultural, elucidando as tradições e identidades que ali se
processaram. Não sabemos ao certo quando o homem exteriorizou os seus sentimentos
através desse veículo de comunicação que denominamos de música, mas a hipótese
é de que nos períodos antigos da história humana, bandos de caçadores,
coletores e re-coletores já evidenciavam registros dessa musicalidade. É o que
diz Martins Ferreira (2017, p.24):
É praticamente impossível discutirmos
a respeito da comunicação verbal oral entre os homens pré-históricos, pois,
diferentemente da comunicação verbal escrita, não nos ficou registro algum
dessa época. Assim, não é descabido, mesmo que improvável, considerarmos mesmo
que, já nos primórdios da humanidade, a música tenha servido de subsídio para
as primeiras manifestações verbais e orais da humanidade.
Ao
que sabemos, dentro do processo histórico evolutivo do ser humano, a música
sempre esteve presente na práxis humana, contribuindo decisivamente na produção
cultural, cientifica e educacional da humanidade. É o que afirma Antunes (2013,
p.127):
Durante a Idade Média e o
Renascimento, a música representava um verdadeiro alicerce da aprendizagem, ao
lado da astronomia, da aritmética e da geometria. E bem antes, Platão e
Aristóteles exaltavam a importância da sonoridade como veículo de educação.
É
tarefa difícil definir a música, em todas as suas vertentes culturais, visto as
constantes mudanças e readaptações no processo histórico. Dentre as expressões de
arte do fazer humano, como elemento cultural, a música é mais versátil, dentre as
manifestações humanas, conseguindo denotar e transmitir a cultura de um povo ou
grupo, em amplitude planetária. Diz Ferreira (2017, p.26): “Trata-se de uma
arte extremamente rica e que dispõe de farto e vasto repertório acessível em
qualquer lugar do nosso planeta.”
Eleger
a música como elemento cultural predominante de uma sociedade ou mesmo de um
grupo de indivíduos é impossível, quando se analisa os aspectos individuais.
Então a música, como determinante cultural, de uma pessoa, grupo ou sociedade,
revela naquele espaço social, a predominância de um ou mais gêneros musicais, sejam
quais forem as influências que se impõem, entre dominantes e dominados, seja na
esfera social, religiosa, política, financeira ou educacional. Vejamos o que
diz Tinhorão (2013, pp.7-8):
A primeira dessas indicações
oferecidas pela história da evolução da música popular urbana no Brasil é a de
que, numa sociedade diversificada, o que se chama da cultura é a reunião das varias
culturas correspondentes à realidade e ao grau de informação de cada camada em
que a mesma sociedade se divide. Assim como nos países capitalistas, entre os
quais o Brasil se enquadra, o modo de produção determina a hierarquização da sociedade
em diferentes classes, a cultura constitui, em última análise, uma cultura de
classes.
Como
expressão cultural, a música, por está associada aos diversos campos de ação
dos saberes e fazeres humanos denota todo e qualquer tipo de intenção. Assim,
as festas, sejam religiosas ou profanas, sejam manifestações críticas de cunho
político, artístico, ou mesmo educacional, a música facilmente se expressa e se
modifica ao saber do cliente. Nesse sentido Ferreira analisa (2017, p.25):
Hoje sabemos a relação íntima que a
música tem, por exemplo, com disciplinas como a arte (em geral), a língua
(portuguesa, inglesa, italiana, latina etc.), a história, a matemática, a
física, a biologia, a psicologia, a sociologia, a religião etc., mas isso não
limita, pois ela mantém sempre alguma afinidade com outras tantas, mesmo que
não estejam diretamente ligadas ao campo da sonoridade.
Nesse
sentido, sendo a MPB - Música Popular Brasileira o conjunto dos diversos
gêneros musicais que se formaram das relações e tensões sociais étnicas,
processadas por europeus, africanos e índios, dentro da lógica multicultural de
dominação, assimilação e reelaboração de suas tradições, podemos dizer que inicialmente
ocorreu a predominância dos desejos das elites, no que pertine, no que se
refere a alienação das massas, mas há que se destacar no seio da MPB, que os
gêneros musicais, nascidos nos espaços urbanos e rurais, assumiram movimentos
reacionários, ao reelaborarem a cultura musical como o veículo reivindicatório
dos direitos humanos que lhes foram indevidamente negados.
José Ramos Tinhorão (2013) tece criticas à MPB,
acentuando o uso do poder do capital, empregado pelas elites para manipular a
sociedade, e assim reproduzir os seus interesses. Entretanto, se ontem, os
batuques dos terreiros reproduziam-se como resistência popular, hoje gêneros
musicais como o funk, o rap e o hip-hop, junto ao samba e ao sertanejo, exercitados
nos meios urbanos e periféricos, se apresentam como contra ponto cultural aos
ditames ideológicos dos dominantes. Segundo Mônica G.T. do Amaral (2014, p.9):
De acordo com Hill, o Hip-Hop não é um
subgênero cultural, mas é expressão de uma identidade libertadora e de
afirmação dos jovens afro-americanos das periferias das grandes cidades dos
Estados Unidos, e, por extensão, das periferias das metrópoles espalhadas pelo
mundo. É com essa postura que ele propõe a Pedagogia
Crítica do Hip-Hop, como expressão de uma politica e identidade para a
população.
Como
a música é cultura, que consegue penetrar nos diversos pilares sociais de um povo, ela
por sua extraordinária aceitação popular, e que já é alvo de disciplina
específica, legalmente constituída nos Parâmetros Curriculares Nacionais,
apresenta-se dentro da cultura da educação, como potente recurso didático
interdisciplinar, colaborando com a relação ensino/aprendizagem, sendo o que
veremos no próximo capitulo deste artigo,
que abordará o viés da música no ensino dos conteúdos da disciplina História.
A música e o ensino de
História
Desde
os tempos remotos que o homem ao observar a natureza passou a usar o som como
meio de comunicação, o que de lá para cá, fez da música uma das maiores
ferramentas, no que diz respeito ao exercício da preservação e evolução das relações
sociais, culturais, e educacionais da humanidade. Assim afirma Ferreira (2017,
p.24):
A música como arte de combinações dos
sons é praticamente tão antiga quanto o ser humano, posto que o próprio ato
comunicativo verbal é uma sequência de combinações sonoras e, portanto, em
certa medida, poderia também ser considerado música.
Desse
modo, a música, pela sua potencial capacidade de fácil assimilação e penetração
social, se apresenta como incontestável recurso didático, no processo
ensino/aprendizagem em sala de aula. E corrobora Ferreira (2017, p.25): “Como
se percebe [...] a combinação sonora constantemente é utilizada como suporte ou
subsídio para a memorização e para o aprendizado de qualquer coisa na vida.”
Como
vimos nas linhas anteriores a eclética música popular brasileira foi alvo de
manipulação das elites da indústria fonográfica e audiovisual, dirigindo a música
como veículo de influência e alienação das camadas populares urbanas e rurais,
sem se preocupar em usá-la como recurso didático à Educação.
A música,
em sua expressão artística é um recurso cultural infinito, que agrega em si a
exteriorização de sentimentos e desejos diversos que, no seu exercício,
propicia o desenvolvimento cognitivo, sendo dessa forma, o uso da música em
sala de aula, fundamentalmente potencial para professores e alunos, no processo
de ensino, na apreensão dos conteúdos da disciplina História.
O que atualmente se defende não é
apenas o ensino musical em salas de aula, seguindo vigorosos, entre outros
países, o Japão, a Hungria e a Holanda, mas principalmente o despertar da potencialidade sonora em todos os alunos, e também a presença da música como veículo de ensino
da língua portuguesa e da matemática, das ciências e das línguas estrangeiras
e, particularmente em nosso caso, da história e da geografia. (Antunes, 2013,
pp.127-128)
A música
geralmente por estar culturalmente ligada aos festejos e comemorações, é
incentivada e exercitada, no meio popular, para atender aos momentos de lazer e
exacerbação momentânea dos sentimentos de alegria e felicidade, escondendo o
cotidiano de miséria social e de falta de dignidade em que vivem as camadas
mais pobres da sociedade brasileira, camuflando a indignidade, onde é negado ao
povo o direito a uma vida salutar e o devido acesso ao saber, pela falta
conveniente de investimentos em educação de qualidade.
Dessa
forma, no Brasil, o Sistema Público de Ensino, tornou-se ultrapassado, devido à
má gestão dos investimentos, resultando em desinteresse e falta de planejamento
e acompanhamento na área da educação, o que significa contraponto ao que
determina os PCN (1988, p,86):
A perspectiva de conferir
à escola a responsabilidade de elaboração e desenvolvimento de seu projeto
educativo não deve significar omissão das instâncias governamentais, tanto nos
aspectos administrativo e financeiro como também no pedagógico.
Dentro
das necessidades básicas que necessita uma sociedade, nos últimos trinta anos,
os investimentos em projetos educacionais foram insuficientes, para que
pudessem atender a uma formação de qualidade de professores e alunos, para que
estes pudessem ter o devido acesso aos conhecimentos das novas tecnologias e
dos novos recursos didáticos a serem utilizados em sala de aula, recursos esses
capazes de promover a motivação e a dinâmica dos alunos, o que também
contrariou os PCN (1998, p.86) que diz:
Projetos educativos claramente
definidos permitem investimentos que estejam de acordo com as diferentes
necessidades de cada localidade e que busquem, cada vez mais, um equilíbrio entre as
condições de trabalho de cada escola.
O público alvo da relação ensino/aprendizagem é o aluno, e como
tal, pela visão que tem de mundo hoje, pela diversidade de informações que
capta, principalmente do mundo virtual, esse aluno não se sente plenamente
atraído método tradicional de ensino. O
perfil do aluno do presente é outro, bem diferente do aluno de trinta anos
atrás, que não possuía o aporte tecnológico e comunicativo, que o mundo virtual
oferece, através da rede mundial de computadores, via os seus diversos
periféricos de saída (smartphone, tablete, notebook, computador, TV-Smart, etc.).
Naturalmente
cada pessoa desenvolve o seu gosto musical, identificando-se com ele, por onde
também exercita a sua cultura, o seu saber e todas as suas emoções, desejos e
reflexões, o que contribui na formação do caráter e identidade de cada cidadão,
seja ele aluno ou professor. Nessa perspectiva, a música pode e deve ser usada,
em sala de aula, no aprendizado dos conteúdos da disciplina historia, e nas
reflexões críticas que levam o aluno a pensar sobre a sua realidade. Nessa
linha diz Hermeto (2012, p.14): “Uma abordagem pedagógica que considere a
complexidade da canção popular brasileira tende a ampliar os horizontes de
leitura histórica de mundo dos alunos.”
Assim,
hoje na relação ensino/aprendizagem, as aulas tradicionais, principalmente as
expositivas, não atendem as necessidades e exigências motivadoras, que
contemplem e possibilitem aos alunos um melhor aprendizado e aproveitamento
satisfatório dos conteúdos da disciplina história, o que exige do professor que
se reinvente e encontre os recursos didáticos que possam atender ao novo perfil
do aluno, o que nos leva, cada vez mais, a buscar potencializar o uso da música
em sala de aula visto os seus poderes cognitivo, lúdico e cultural.
Diante da realidade da didática tradicional, vivenciada no campo
da Rede Pública de Ensino, nos estágios de observação e regência, com alunos do
ensino fundamental II, mostrou-se claro o desinteresse desses alunos, em
aprender os conteúdos da disciplina história através das aulas expositivas. Por
outro lado ficou evidente o exacerbado gosto dos alunos por música, que durante
as aulas se portavam ouvindo-as, via aparelho celular (smartphone). Nessa
perspectiva, observei que há necessidade da elaboração de projetos de
intervenção e aplicação pública, voltados para o ensino da disciplina, usando a
música (canção) como recurso didático potencializador/motivador no diálogo
ensino/aprendizagem.
Objetivando
a elaboração de um projeto de aplicação pública voltado à realidade cultural
local, através de uma relação dialógica com a comunidade escolar específica e,
visando desenvolver a estratégia de didática de ensino mais adequada á
comunidade, vislumbrou-se a inquietação em realizar pesquisa de campo, em duas
escolas do fundamental II, para saber a opinião de professores e alunos sobre o
uso da musica no ensino das aulas de história. É o que diz o PCN (1998, p.87):
O projeto educativo precisa ter a
dimensão de presente: a criança, o adolescente, o jovem vivem momentos muito
especiais de suas vidas; vivenciam tempos específicos da vida humana e não
apenas tempos de espera ou de preparação para a vida adulta. Daí a importância
de a equipe escolar procurar conhecer, tão profundamente quanto possível, quem
são seus alunos, como vivem, o que pensam, sentem e fazem.
Assim
como a Escola dos Annales propiciou ao historiador o olhar para novos campos e
objetos da história, rompendo com a história
positivista, o uso da música em sala de aula, como recurso didático no
ensino dos conteúdos de história, quebrará a rotina das aulas expositivas,
estáticas e repetitivas, que herdamos do mundo eurocêntrico. Nesse sentido diz
CATELLI (2009, p.141): “Estudar a história do homem inclui tudo o que
contribuiu para refletir acerca da experiência humana em um determinado tempo e
espaço”.
O
aluno de hoje é dinâmico, criativo e versátil, o que demanda que o professor
também o seja em sala de aula. Dessa forma, a música se apresenta como poderoso
recurso didático no ensino aprendizagem visto a sua ampla aceitação popular
como expressão de arte, prazer e lazer, pelo seu fácil acesso por meio das novas
tecnologias virtuais, e por sua característica dinâmica de agregar, nas
relações culturais, todas as classes sociais, a música figura como potente
recurso na prática docente/discente. Nessa perspectiva Antunes (2013, p.13)
afirma:
A mudança de paradigma nas informações
existentes no mundo de hoje, trazidas por uma visão do planeta baseada em novas
tecnologias aeroespaciais, a popularização das informações alentadas pela
difusão da TV a cabo, as aberturas à pesquisa e à informação científica
possibilitadas pela internet, a globalização da economia e do consumo mundial,
as novas revelações científicas que alteram saberes de diversos ramos do
conhecimento, associadas ao avanço da pedagogia, com a conquista de novos
elementos sobre a memória, inteligência, aprendizagem e criatividade, acabaram
por tornar inadiável o acréscimo de substanciais mudanças no atual conceito de
geografia e de história e nos procedimentos para fazê-las plenamente
compreendidas pelos alunos nos ensinos fundamental e médio.
Desse
modo, a música como expressão da arte, por se constituir em registro de fatos e
acontecimentos, é uma rica fonte do conhecimento histórico, que em seu
dinamismo, preenche os requisitos didáticos ao ensino em sala de aula, pois além
da arte de registrar e propagar a História, servo ao ensino da política, da
economia, da religião e toda uma gama de parâmetros sociais que se reinventam e
se reelaboram, diante da cronologia do tempo, permitindo ao professor e ao
aluno entender o contexto histórico do passado e do presente.
Mas
por que ainda hoje a musica não é potencializada como recurso didático em sala
de aula?
Nessa dinâmica, letra e música (canção) é fonte
documental que revela, não só o registro do fato, mas e sobre tudo, o
pensamento, a memória e a mentalidade de uma época, de um sujeito ou de uma
sociedade, denotando as diversas ideologias que se evidenciam no dialogismo
histórico, seja de resistência ou concordância. Uma
canção não precisa dizer tudo o que ocorreu no fato, mas ao dizê-lo,
parcial ou integral, torna-se fonte histórica, alvo de pesquisa e investigação,
cuja comprovação cientifica servirá de base à historiografia e ao
ensino/aprendizagem. Nesse sentido afirma Hermeto (2012, p.15):
Em geral, acredita-se que é impossível
o professor realizar um trabalho pedagógico operando com as especificidades da
linguagem cancional sem ter alguma formação em música. É fato que a formação
musical facilita esse processo, mas sua ausência não é impedimento para a
realização de uma abordagem histórica que leva essa complexidade em consideração,
pois um trabalho dessa natureza implica, em ultima instância, que se lance
questões históricas sobre a canção- o que é de domínio do professor da área – e
que elas sejam respondidas a partir de operações básicas com a “gramática
musical”.
Na
medida em que o olhar do historiador mudou, com o argumento dos Annales,
abrindo a História para a descoberta de novos objetos e sujeitos, utilizando-se
de novas fontes documentais, descortinando objetos pouco ou não estudados, a
música por ser prazeroso objeto das relações sociais, precisa ser
potencializada como ferramenta didática de ensino, para a assimilação dos
conteúdos da disciplina história. Nessa vertente, corrobora Maria Auxiliadora
Schimidt (2010, p.43): “[...]
adotar novos recursos para o ensino em sala de aula desfaz a ideia de que o
professor é uma “enciclopédia” [...], revelando que o professor é um
“construtor” que aprende e auxilia os alunos, na compreensão dos conteúdos da
Disciplina História.”
Para
que a música seja potencializada como ferramenta didática em sala de aula, é
necessário que projetos pedagógicos de aplicação pública sejam criados e
legalizados pelo Governo, como politica pública que propicie a melhoria dos
índices do crescimento de qualidade da Educação Fundamental no Brasil.
A
música pelo seu caráter dialógico popular, penetrante em todos os aspectos da histórica
vida humana, merece do educador a atenção que a potencialize como recurso
didático de ensino, e para tanto, cabe a análise adequada da canção que irá
trabalhar em sala de aula. Assim, Marcos Napolitano (2002. p.86) diz:
É preciso
identificar a gravação relativa à época que pretendemos analisar (uma canção
pode ter várias versões, historicamente datadas), localizar o veículo que
tornou a canção famosa, mapear os diversos espaços sociais e culturais pelos
quais a música se realizou, em termos sociológicos e históricos.
Todo
o contexto a ser trabalhado através do recurso didático da música, deve estar
bem alinhado com a letra da canção, dentro de um projeto de intervenção de
aplicação pública que atenda e facilite ao aluno o entendimento do assunto
estudado, para que possa satisfazer aos objetivos do ensino/aprendizagem, e
nesse sentido afirma os PCN (1998, p.87):
Quando alunos percebem a escola atenta
a suas necessidades, a seus problemas, a suas preocupações, desenvolvem
autoconfiança e confiança nos outros, ampliando as possibilidades de um melhor
desempenho escolar. Isso vale também para os adultos, que trabalham na escola
ou que estão de alguma forma, envolvidos com ela: professores, funcionários,
diretores e pais.
No
sentido de propor a potencialização da música como recurso didático de ensino e,
responder aos anseios do universo escolar por uma aula dinâmica e motivacional,
apresento aqui alguns resultados da pesquisa de campo qualitativa, das
entrevistas feitas com professores de história, e do questionário aplicado em
três turmas do ensino fundamental II (sendo uma do oitavo ano e duas do nono
ano) e uma turma do ensino médio, da rede pública e privada, cujos objetivos
foram claramente investigar a possibilidade de usar a música no ensino dos
conteúdos da disciplina história e a partir daí, elaborar um projeto de
intervenção e aplicação pública, voltado ao ensino de história, que
potencialize o recurso didático da música (canção) em sala de aula.
Para
a elaboração do projeto intervenção e aplicação pública, que visa o uso da
música como potencial recurso didático para o ensino de História, ao expor o
objetivo da pesquisa, que visa adaptar o projeto à realidade cultural local,
através de uma relação dialógica com a comunidade escolar específica, visando
desenvolver a estratégia de didática de ensino mais adequada, fui bem
recepcionado por professores e alunos, o que ficou denotado nos resultados da pesquisa.
Assim sendo, vejamos o que disseram os Professores de História
quando perguntados sobre o que achavam da ideia de potencializar a música como
recurso didático no ensino dos conteúdos da disciplina. Em entrevista realizada em 19/12/2017, a
professora Solange, docente de história do Colégio Estadual
Pedro Calmon, do ensino fundamental II há mais de 20 anos, disse:
“Olha Hélio, eu acho assim que a
música, é um recurso, né, que eu acho que é bem positivo pra ampliar essa
capacidade da gente chegar, né, aos alunos. É um recurso bem, bem, bem importante,
eu acho que devia ser realmente implantado, né, como um facilitador, nessas, nas
ações pedagógicas nossas, no dia a dia, então eu acho que é importante.”
O professor Rangel,
docente do colégio particular Centro Educacional Asas da Educação, também do
ensino fundamental há mais de 10 anos, entrevistado em 19/12/2017, disse que já
usa a música em suas aulas de história, sendo esse recurso bem aceito pelos
alunos:
“É bastante valido, por que em
primeiro lugar você tem de fazer uma sondagem, tipo de gosto musical dos
discentes, pra até então você avaliar a preferência deles, e introduzir um
trabalho, um projeto, algo desse tipo. Eu geralmente trabalho com música, e eu
também faço composição de música, tá, de acordo com os conteúdos, como
revolução francesa, iluminismo, idade media, as histórias greco-romanas,
historia de guerra, em fim.”
Também o
professor Orlando, docente há mais de 10 anos, do colégio particular Hildeberto
Cardoso, entrevistado em 02/10/2018, disse:
“Eu acho interessante, eu
acho motivador, mas eu acho que tem que ter uma dúvida, é necessário ter uma
certa observação, exatamente. Você motivar os alunos com música, despertar nos
alunos o interesse sobre uma ciência, no caso, como referência a História,
[...] mas o que eu falo é de uma forma geral de uma matéria, de uma disciplina.
Então a música pode ser uma das principais motivadoras. Dentro da música você
pode ter várias nuances, você pode trabalhar diversos temas, e trabalhar também
com diversas áreas. No caso a história, você contextualizar aquela letra, você
verificar o que é que aquela letra tem, e abordava num determinado período é
muito interessante pro aluno [...]”
A professora
Simone, também da cadeira de história do ensino fundamental, do Colégio
Estadual Alberto Valença, entrevistada em 22/02/2019, disse:
“Eu vou te dizer o que eu
faço, não o que eu acho. [...] é um mecanismo que eu já adotei na minha
pratica. Tem algumas canções, sobre tudo da axé-music, da década de 80 principalmente que são
verdadeiras aulas de Historia Antiga, das civilizações antigas, então assim,
faz muito mais sentido que eu explico pra
aquela criança [...] explicar sobre o Egito utilizando a canção Faraó, do que encher o quadro de coisas.
Então assim, é mais próximo dele ou dela, daquela criança, e não só a música Faraó, mas as outras também. A Banda
Reflexus tem muita canção que fala sobre a história das antigas civilizações
africanas, e quando você trás isso, as crianças conhecem sim, porque os pais ouvem,
os avós ouvem, então assim, não é uma ferramenta distante. Quando você diz
assim, a música como uma ferramenta potencializadora do ensino de história, eu
acho perfeito [...]”
Ainda
para fundamentar e validar o presente artigo e justificar a elaboração do
projeto pedagógico, perguntei aos alunos do fundamental II e ensino médio se
gostariam de aprender os conteúdos da disciplina historia ouvindo música
relacionada ao tema, e obtive os seguintes resultados do universo de 115
alunos: 96 (83,5%) alunos disseram que sim; 7 (6,1%) disseram que talvez e; 12
alunos (10,4%) disseram que não, ou seja, para cada 7 alunos, 6 aprovam o uso
da música no ensino dos conteúdos disciplina.
Vejamos
o que disseram dois alunos de cada turma, do universo de 96 alunos (83,5% dos
115 alunos), da rede de ensino de Salvador - BA., que aprovam o uso da música
como recurso didático nas aulas de história: O aluno A.C.M.A.N., do 9º ano da
instituição particular Colégio Hildeberto Cardoso, questionado em 26/10/2018
disse: “Sim, seria um ótimo método. Os estudantes da disciplina sentiriam mais
facilidade pra absorver os conteúdos.”
A aluna A.V.B.O.R.S.
questionada em 30/10/2019, do mesmo Colégio e ano disse: “Sim, com certeza
seria super mais fácil, compreensivo e legal de entender o assunto.”
O aluno T.B.A.P.F., do 3º
ano do ensino médio do mesmo Colégio, questionado em 19/10/2018, disse: “Sempre
fui ligado ao movimento Hip-Hop e isso me fez procurar entender sociologia (por
conta de referências e o movimento negro). Por isso, sim e gostaria.”
Já o aluno A.C.A.J., também do
3º ano do ensino médio do mesmo Colégio, também questionado em 19/10/2018,
disse: ”Sim, acredito que seja um excelente instrumento.”
A aluna T.R.S.S., do 8º ano
do Colégio Estadual Alberto Valença, em 22/10/2019 disse: “Seria melhor, porque
acho que é um jeito de ensinar melhor os adolescentes hoje em dia.”
A aluna A.V.C.S. do mesmo
ano e Colégio e, na mesma data disse: “Sim, seria uma forma interessante pra
aprender.”
A aluna L.E.S.C. do 9º ano e
Colégio e, em 19/03/2019 disse: “Sim, acho que ia desenvolver mais a matéria.”
Já o aluno M, do mesmo ano e
Colégio e data, disse: “Sim, seria muito bom, acho que seria muito legal ajudaria
no aprendizado.”
Tais
resultados comprovam a ampla aceitação da música como recurso didático
potencial a ser utilizado no processo ensino/aprendizagem dos conteúdos da
disciplina história, o que além de atestar a aprovação dos professores e o
gosto dos alunos, reforça o estímulo e o dinamismo que a música pode
proporcionar em sala de aula, comprovando que é necessário a sua
potencialização através de projetos pedagógicos que obrigatoriamente usem esse
imponente recurso no referido processo, uma vez que o perfil do aluno de hoje
exige aulas mais dinâmicas, participativas, motivadoras e atualizadas, que contemplem
a velocidade das múltiplas informações que são canalizadas pela sociedade
globalizada via novas tecnologias.
Para Selva Guimarães Fonseca
(2012), explorar as infinitas possibilidades do manejo, exercício didático e
utilização da música popular brasileira como fonte é um caminho necessário para
construir uma prática educativa “que revelam sensibilidades, criatividade, o
gosto e o prazer de alunos e professores que incorporam canções no ensino de
História”.
Da
inquietação já relatada, oriunda do desinteresse e falta de motivação dos
alunos do fundamental II, da rede pública de ensino de Salvador, um projeto de
ensino pelo viés da música como recurso didático, que desperte o interesse e
motive os alunos é uma, dentre as alternativas, que pode melhorar os índices de
rendimento escolar, salientando que tal projeto necessitará de políticas
públicas voltadas para o investimento em Educação, o que propiciará a professores
e alunos, as condições satisfatórias no processo ensino/aprendizagem.
De
certo, visto a atual situação do sistema tradicional de ensino, ainda
alimentado pela predominância de aulas expositivas e monótonas, é primordial
como ponto de partida para a elevação dos índices do rendimento escolar, a
implantação de um projeto de intervenção e aplicação pública, que motive e
dinamize o ensino da disciplina história, projeto este que poderá, no futuro, se
estender para as outras áreas do conhecimento e aos demais espaços públicos de
ensino, onde a música se apresenta como recurso didático de elevado potencial.
Considerações finais
Como vimos, a musica (canção) é um elemento histórico e cultural de
fácil penetração em todas as classes sociais, capaz de reunir ricos e pobres,
brancos e negros, tornando-se grande vetor da promoção e resolução das questões
sociais.
A música por sua ampla aceitação social, por funcionar como
ferramenta de luta no processo das relações sociais entre dominantes e
dominadas, precisa ser mis utilizada no processo ensino/aprendizagem.
Segundo Alessandra Cruz et all, (2019) a relação entre música e
ensino de História possivelmente abre possibilidades de se “construir um caminho ritmado entre fatos,
acontecimentos, poesias e canções que levem os alunos a compreender a
disciplina história com outro olhar e novas perspectivas.”
Por ser amplamente aceitável e acessível por todos os povos em
suas diferentes culturas e pilares sociais, a música precisa ser valorizada e
potencializada como recurso didático no ensino de historia e das demais áreas
do conhecimento, como diz Hermeto (2012, p.13): “A rigor, a canção popular pode
(e deve) ser utilizada como recurso didático no ensino de História em qualquer
segmento da educação.”
Ainda segundo Alessandra Cruz, et all, (2019): “O ensino de
história com a música não se detém apenas a um exercício de interpretação das
canções como um instrumento didático lúdico e dinâmico, mas, principalmente um
aprofundamento metodológico que convida os alunos a pensar a canção como uma
fonte histórica que expressa a realidade vivida por eles em sua sociedade e
amplia seu repertório de análise sobre os contextos históricos.”
Como
vimos o uso da musica como fermenta facilitadora do processo
ensino/aprendizagem, pela potencial amplitude de penetração que exerce no seio
da sociedade, não pode mais sofrer de vilipêndio. É preciso criar políticas
públicas de ensino, para que professores e alunos, das diversas áreas do
conhecimento, possam ser beneficiados com uma educação de qualidade.
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